drama
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Não leve as armas para a cidade

Os grãos de areia correram pela pele alva de Jane procurando o caminho para seus olhos. Ela afundou o chapéu na cabeça e virou o rosto a tempo. O seu cavalo sacudiu a crina e empinou as patas dianteiras, só não sabia se era devido à tempestade de areia, que se recusava a partir, ou… Continue reading
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Janeiro de 1969
Eu estava dormindo embaixo da cama quando a mãe Elisa me acordou naquela noite. Lembro-me bem do cheiro do carpete — hoje nada mais do que cheiro de infância — e do calor emanado pelo corpo dela, ofegante. Apesar de a mãe Tânia ter me mostrado milhares de fotos de Elisa depois daquele dia, a… Continue reading
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Dia de Fortuna

Naquele momento eu deveria ter parado e questionado quais decisões haviam me colocado na padaria Maffei fazendo um guri com uniforme do Marista chorar enquanto enfrentava a decisão mais difícil da sua curta vidinha: a integridade do boneco favorito ou o último sonho de mumu. Continue reading
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Casa vazia

Os olhos de Hannah recusavam-se a piscar e seus batimentos ecoavam dentro de si, abafando a melhor versão de Time is on my side na vitrola. As mãos gélidas seguravam o celular que exibia a prévia da foto impossível. Havia perdido as contas de quanto tempo estava presa naquela casa. Desde o início da pandemia?… Continue reading
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Um barulho na noite

Otávio acordou no meio da madrugada, nos seus ouvidos ecoava um ruído contínuo vindo da sala. Lembrava gotas de chuva encontrando uma calha de alumínio em uma tempestade de verão. Virou-se na cama para olhar a janela e viu apenas a parede mofada do prédio ao lado sendo banhada por uma noite fria e seca.… Continue reading
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Amarelo
A dona da fruteira foi a primeira a notar o móvel na janela. Era uma cama comum, de madeira clara, lençóis escuros e travesseiros azuis. Estava lá, pendendo da janela como em uma mudança interrompida. A feirante tentava encontrar sentido naquela situação, mas logo os clientes começaram a chegar e seu foco passou a ser… Continue reading
